Entrevista com Miguel Pinto Ribeiro, responsável pelo setor agrícola da FUCHS Portugal

“A FUCHS investe mais de 50 milhões de euros em projetos de investigação e desenvolvimento com foco na eficiência e na sustentabilidade”
Miguel Pinto Ribeiro, responsável pelo setor agrícola da FUCHS Portugal

1. Como descreveria a atuação da FUCHS no setor agrícola e quais são hoje os principais focos da empresa neste segmento?

A FUCHS desenvolve soluções de lubrificação para o setor agrícola há mais de 60 anos, em parceria com os principais OEM e através do fornecimento direto a revendedores e oficinas especializadas. O foco continua a ser o mesmo: Oferecer produtos da máxima qualidade, com aprovações dos principais fabricantes, e um serviço de assistência pós-venda diferenciador, reforçado pela presença da marca em Portugal.

2. Qual é a importância estratégica do setor agrícola para a FUCHS no contexto global e no mercado português?

Consideramos este setor importante e estratégico por duas razões. Primeiro, as nossas antigas parcerias com grandes fabricantes mundiais motivam-nos a manter o pioneirismo que, por exemplo, nos permitiu obter da DEUTZ a primeira aprovação oficial para um óleo de motor biodegradável. Segundo, o setor agrícola sempre foi e continua a ser um pilar economicamente vital, que opera com máquinas complexas; por isso, assumimos a responsabilidade de garantir a sua máxima operacionalidade com lubrificantes evoluídos e confiáveis.

3. Houve recentemente lançamentos de novos lubrificantes ou tecnologias específicas para máquinas agrícolas? Poderia destacá-los?

Claro. Foi lançado um novo lubrificante do tipo UTTO com aprovação oficial da FENDT – o AGRIFARM UTTO AG – que garante uma excelente proteção antidesgaste e é adequado para tratores FENDT da 7ª geração (2022 em diante). A designação “AG” deriva da sua especialização em veículos do grupo AGCO, que inclui outras marcas amplamente reconhecidas, como a VALTRA e a MASSEY FERGUSON.

4. Em termos de eficiência e desempenho, que melhorias os novos produtos trazem para tratores e outros equipamentos?

A FUCHS tem por tradição desenvolver produtos que superam largamente os requisitos mínimos definidos pelos fabricantes ou por entidades como a ACEA e a API. Um exemplo claro desta orientação é o AGRIFARM MOT X-LA 10W-40. Nos testes oficiais realizados pela Mercedes-Benz, este lubrificante apresentou um desgaste final dos componentes 55 % abaixo do limite definido pelo fabricante e no teste de oxidação, que reflete o envelhecimento do óleo, ficou 57 % abaixo do limite definido pela API CK-4, após 360 horas de trabalho.

5. Existe alguma linha de produtos desenvolvida especificamente para enfrentar condições severas, como poeira, variações térmicas e operações contínuas durante as colheitas?

Existe. A linha de produtos da FUCHS especializada em máquinas agrícolas chama-se AGRIFARM e integra cerca de 15 produtos que cobrem todas as aplicações e sistemas que equipam um trator. Inclui óleos de motor, STOU, UTTO e óleos para engrenagens, bem como lubrificantes específicos para máquinas de ordenha, com aprovações oficiais e recomendações fortemente orientadas para os principais fabricantes deste tipo de maquinaria.

6. A FUCHS tem uma forte atuação em pesquisa e desenvolvimento. Como esse compromisso se traduz em inovação para o agronegócio?

Todos os anos, a FUCHS investe mais de 50 milhões de euros em projetos de investigação e desenvolvimento com foco na eficiência e na sustentabilidade. Com a AGRIFARM, procuramos desenvolver novos produtos de acordo com as exigências dos fabricantes e com a sustentabilidade definida como uma das principais prioridades. A recente reformulação do AGRIFARM STOU MC PRO 10W-40 confirma esse compromisso, já que permite incluir este lubrificante no portfolio de produtos ACT – um programa que transforma lubrificantes convencionais em lubrificantes mais amigos do meio ambiente.

7. Que tipo de testes e certificações os lubrificantes da FUCHS precisam cumprir antes de chegar ao mercado?

Todos os nossos lubrificantes cumprem, no mínimo, os requisitos definidos por associações de referência no setor, como a ACEA (Associação Europeia dos Construtores de Automóveis) e a API (Associação Americana de Produtos Petrolíferos). Na grande maioria dos casos, os produtos FUCHS superam de forma significativa estas exigências. Além disso, a maioria dos produtos é posteriormente enviada aos principais fabricantes, que realizam todos os testes que considerarem indispensáveis. É desse processo que resultam as aprovações oficiais.

8. A empresa prevê novas tecnologias, serviços ou produtos que possam transformar a manutenção de máquinas agrícolas nos próximos anos?

Diria que a FUCHS, com os seus 90 anos de história e o desenvolvimento exclusivo de lubrificantes, está preparada para qualquer desafio que o setor das máquinas agrícolas venha a colocar. Atualmente, existe uma maior preocupação com as emissões poluentes e os lubrificantes precisam de acompanhar essa evolução. O futuro poderá trazer duas transformações, em simultâneo ou não: a adaptação de cadeias cinemáticas híbridas e a utilização de fluidos lubrificantes biodegradáveis e/ou mais sustentáveis. Em qualquer um destes cenários, a FUCHS já tem produtos capazes de responder a essas exigências. Aliás, um deles já recebeu a aprovação oficial da DEUTZ há vários anos…